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Câncer de cabeça e pescoço é o quarto com maior incidência em homens

Publicado em: 24/04/2017
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Estima-se para o Brasil, em 2016, mais de 11 mil novos casos de câncer de Boca em homens e mais de 4 mil em mulheres, segundo dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer). O câncer de cabeça e pescoço tem preocupado os oncologistas. Um dos motivos é que seus principais sintomas e formas de prevenção ainda são desconhecidos pela população. Nos homens o câncer de boca chega a ser o quarto mais frequente na região Sudeste.

Para detalhar sobre os tipos de câncer de cabeça e pescoço mais recorrentes, os sintomas iniciais e o tratamento, a Revista Etiqueta entrevistou a médica cirurgiã especialista na área, Silvia Maria Leli. Graduada pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), com especialização em Cirurgia de Cabeça e Pescoço no Hospital do Câncer de Barretos, e com título reconhecido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço; tem atuado nesse segmento na cidade desde 2014, prestando atendimento no Regional Hospital e Maternidade, no NGA (Núcleo de Gestão Assistencial) e no Hospital de Câncer de Franca.

 Revista Etiqueta – Qual a atuação do médico especialista em cabeça e pescoço?

Doutora Silvia Maria Leli – O profissional de cabeça e pescoço na verdade é um cirurgião que vai atuar nos principais tumores relacionados a essa área do corpo, como os tumores de lábio; todos os tumores de cavidade oral (bochecha, língua, gengiva, palato duro); os tumores de orofaringe e faringe; os tumores de laringe; tumores de tireóide e os cânceres de pele, relacionados principalmente a região da cabeça e pescoço.

Etiqueta – São mais difíceis de serem diagnosticados?

Dra Silvia – Não, as pessoas muitas vezes têm os sintomas iniciais e não sabem: um nódulo no pescoço, endurecido e que cresce progressivamente e que não desaparece em 21 dias; uma ferida ou afta na boca que não cicatriza espontaneamente em 21 dias; uma rouquidão que persiste por mais de 3 semanas, principalmente em fumantes e consumidores frequentes de bebidas alcoólica, são sintomas preocupantes que devem ser avaliados pelo especialista. De repente o paciente tem uma pequena lesão na língua e acha que não é nada, apenas uma afta, que vai melhorar e não procura o médico.

Etiqueta – O diagnóstico precoce ajuda?

Dra Silvia – Totalmente. Se for um tumor de língua ou laringe inicial, a chance de cura é mais de 90%. Agora para tumores mais avançados de boca ou faringe, a chance de cura é de apenas 27%, segundo dados do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo).  Em tumores mais avançados, além das menores taxas de cura, a agressividade do tratamento pode comprometer muito a qualidade de vida do paciente.

Etiqueta – Por que a incidência é maior em homens?

Dra Silvia – Por causa do tabagismo associado ao etilismo (o hábito de fumar e beber), que multiplica em até 20 vezes a chance de desenvolver câncer nessa região. Hoje existe uma incidência crescente em mulheres por conta do aumento do tabagismo e etilismo. Há ainda um aumento nos casos de câncer de orofaringe causado pelo HPV, que é transmitido principalmente pelo sexo oral sem preservativo, (Papiloma Vírus Humano), que até então se pensava somente transmitir o câncer de colo de útero nas mulheres.

 Etiqueta – Em que idade o câncer de cabeça e pescoço é mais frequente?

Dra Silvia – Na faixa etária dos 40 aos 60 anos, mas pessoas mais jovens, que praticam sexo oral sem preservativos e que tenham adquirido alguns subtipos de HPV também estão suscetíveis.

 Etiqueta – Os tratamentos são todos com cirurgia?

Dra Silvia – Depende. Se houver o diagnóstico de uma lesão inicial na língua, por exemplo, o tratamento preferencial é cirúrgico. Como são lesões iniciais, você não mutila o paciente e ele tem excelentes chances de cura. Não é tão mórbido, e o paciente consegue ter uma boa qualidade de vida. Agora se você diagnostica um tumor muito avançado, a cirurgia se torna extremamente agressiva e o paciente terá dificuldades para comer e articular palavras após o tratamento. Além da cirurgia temos a radioterapia exclusiva para tumores iniciais ou a radioterapia associada a quimioterapia, para tumores mais avançados.

Na laringe, por exemplo, se for um tumor inicial se consegue fazer uma cirurgia parcial, tirando só uma corda vocal, sem prejudicar a voz. Porém, se o tumor estiver mais avançado, você tem que retirar a laringe completamente e o paciente perde a voz.

O bom é que todos os tratamentos são feitos em Franca. O Hospital do Câncer oferece tratamento para todos os tipos de tumores. Quando existe o diagnóstico, já encaminho o paciente para o HC e lá ofereço o tratamento. Se é cirurgia, radioterapia exclusiva ou se é a radioterapia mais quimioterapia. O paciente consegue todo o tratamento gratuito na cidade.

Mais informações sobre os tumores de cabeça e pescoço podem ser obtidas no consultório médico da doutora Silvia Maria Leli, localizado na rua Dr. Marrey Júnior, 2355 – 1° andar/ Sala 02 , Bairro São José. Telefone (16) 3402-0305 ou (16) 99966-9406.

 

Fotos: Wilker Maia/Revista Etiqueta

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